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sábado, 26 de janeiro de 2019

Alma Perdida


E bem ali, diante dos seus olhos, estava a grande porta que levaria a antessala do inferno. Local onde satanás recepcionaria as inúmeras almas perdidas que inaugurariam o local de choro e ranger de dentes (I).

A alma perdida caminhava com as outras em ritmo fúnebre. Cabisbaixa, olhava para os lados com amargura. Tentando de alguma forma enxergar em meio a fumaça que se formava, alguma forma de escapar da ira vindoura. Por certo que já havia passado pelo julgamento do grande trono branco (II), no qual o Senhor dos Exércitos (III), após meticulosa busca, não encontrara o nome daquela alma perdida escrito no livro da vida (IV). Sumariamente condenada, a alma perdida soluçava e copiosamente chorava durante o seu caminhar para o local que ela mesma nunca havia parada para se perguntar: O inferno existe?

Andando pelo caminho largo (V), as filas se formavam e tornava o caminhar mais lento. O que antes eram passadas largas, agora se tornava um estreito de não mais do que dois palmos de terra avante, devido a grande quantidade de almas. Era necessário então, que cada alma colocasse a mão sobre o ombro da alma logo a sua frente.

Temerosas pelo que haviam de enfrentar, as inescusáveis almas que estavam mais a frente, começavam a clamar dizendo: “Senhor, Senhor...”(VI) pois viam logo acima de suas cabeças, nas regiões celestiais (VII), as almas de vestes brancas (VII), reluzentes e elas estavam entoando hinos, abraçavam-se, pulavam e felicitavam-se por terem perseverado até o fim (IX).

A alma perdida agora começava a sentir calor. Sua estrutura, embora incorpórea, voltava a ter sensibilidade e passou a sentir o apertar da mão daquela que estava logo atrás; sobre seu ombro. E por meio de sussurros, ouvia a confissão daquela alma que seria a derradeira a passar pela grande e espaçosa porta.

- Nós expulsamos demônios. Curamos enfermos. Tudo isso fizemos no nome Dele. Mas Ele nos disse: “Apartai-vos de mim (X)”. Como pode? Bem verdade que não segui a risca tudo o quanto Ele ordenara nas Sagradas Escrituras (XI). Mas como eu poderia servir na obra sem ter um carro, sem cobrar por meus serviços? Aquelas almas que não tinham como me pagar, como me recompensariam (XII)?

O sussurro da alma iníqua foi quebrado quando se via, logo de cima de um declive, um espaçoso pátio com o final do caminho da perdição. As almas tenebrosas, se dispersavam e corriam de um lado para o outro. Entretanto, aquelas que corriam para a direita, horrorosamente apareciam a esquerda. As que, esperançosamente corriam para a esquerda, indubitavelmente, surgiam a direita. As atônitas, gritavam e se ajoelhavam, contudo, como acorrentadas, não podiam parar por muito tempo de seguir a diante.

- E tu? O que fizestes para acabar aqui? Perguntou a alma que outrora revelou seu crime.

- Vivia uma vida desregrada. E não foram poucas as vezes que aqueles do caminho (XIII) me alertaram. Quantas vezes bateram em minha porta (XIV) e eu fingia dormir. Quantas vezes me abordaram nas ruas, nos bares com um simples panfleto e de sua boca eu ouvia que Jesus me amava. Confesso que uma vez, bem debilitado de saúde, procurei me livrar de minhas dores e ao templo eu fui. Dias depois, sã eu estava, mas nunca voltei para agradecer (XV).

Agora a alma perdida poderia ver em detalhes, com seus olhos espirituais, aqueles cujas vestes eram mais alvas que a neve. E mesmo ao longe, reconheceu cada um daqueles que o importunaram no meio das ruas. Como um filme que acabara de ver, lembrou de todos que por ele foi chamado de loucos, pífios, perturbadores, arrogantes; insensatos.

A alma perdida agora estava ali, diante da porta do inferno. O calor era intenso. Já ouvia os gritos daqueles que já cruzaram aquele delimitador. A alma que estava logo atrás se colocou ao seu lado e disse:

- Eu lhe juro que eu pensava que todos nós seríamos salvos. Acreditava na misericórdia de Deus.

A alma perdida retorna a caminhar e ultrapassando a porta diz:

- Não demos ouvidos a Moisés; nem aos profetas (XVI). Deus é misericordioso e assim nos demostrou até antes de nossas mortes. Agora o que temos é a sua justiça.

A alma perdida foi então para a eternidade, mas a eternidade em fogo inextinguível, com prantos e ranger de dentes (XVII).

Tomara, sinceramente, que este relato não seja a das nossas almas. Que verdadeiramente, aceitemos a Jesus Cristo como nosso único e suficiente salvador.

Autor: Lucas Filho



Referências Bíblicas

I. Lucas 13.28: “Ali haverá choro e ranger de dentes quando virdes Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora.”

II. Apocalipse 20.11,12: “E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.”

III. Zacarias 7.12: “Sim, fizeram os seus corações como pedra de diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito por intermédio dos primeiros profetas; daí veio a grande ira do Senhor dos Exércitos.”

IV. Apocalipse 21.27: “ Nela jamais entrará algo impuro, nem ninguém que pratique o que é vergonhoso ou enganoso, mas unicamente aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida do Cordeiro.”

V. Mateus 7.13,14: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem”.

VI. Mateus 7.21: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”

VII. Efésios 2.6: “E juntamente com Ele, nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.”

VIII. Apocalipse 7.9: “Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas.”

IX. Mateus 10.22: “Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo.”

X. Mateus 7.22,23: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.”

XI. II Timóteo 3.16,17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.”

XII. Mateus 10.8: “Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expeli os demônios; de graça recebestes, de graça dai.”

XIII. Salmos 128.1: “Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos.”

XIV.
Apocalipse 3.20: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo.”

XV. Lucas 17.11:19: “E aconteceu que, indo ele a Jerusalém, passou pelo meio da Samaria e da Galileia; E, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe, E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós. E ele, vendo-os, disse-lhes: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos. E um deles, vendo que estava são, voltou, glorificando a Deu em alta voz; E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano. E, respondendo Jesus, disse; Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? Não houve quem voltasse, para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou.”

XVI.
Lucas 16.27:29: “E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.”

XVII. Mateus 25.30: “E lancem fora o servo inútil, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes.”

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Por mais que eu

Foto: Pixabay

Por mais que eu me levante na madrugada para orar;
Por mais que eu venha a ir todos os dias para a igreja;
Por mais que eu louve todas as canções da Harpa Cristã;
Por mais que eu visite todas as congregações;
Por mais que eu doe alimentos todos os dias;
Por mais que eu faça jejum;
Por mais que eu suba montes ou dunas;
Por mais que eu abandone toda a idolatria;
Por mais que eu ore por outras pessoas;
Por mais que eu busque a Deus todos os momentos;
Por mais que eu saiba todos os livros, capítulos e versículos da Bíblia;
Por mais que eu ame a Deus todos os momentos;
Por mais que eu ame a meu próximo como a mim mesmo;
Por mais que eu não me desespere frente as aflições da vida.

Nunca. Em hipótese alguma, irei pagar o amor que Deus tem por mim.

A vida eterna é oferecida a todos, por mais que não mereça.

Autor: Lucas Filho

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A poltrona do bom pastor

Divulgação


Majestosa. Indiferente às demais. Prepotente em seu lugar de destaque. A poltrona do Bom Pastor hoje se diferencia das demais se esquecendo de que outrora, já foi uma cadeira de plástico.

As vezes, tento imaginar, com será o trono de Jesus Cristo que está sentado à direita de Deus Pai. Pois quando Jesus veio ao mundo, não se viu Nele arrogância, vaidade nem ao menos indiferença alguma entre os demais. Sentando-se e comendo com publicanos, lavando os pés dos seus discípulos, Jesus sempre falava das menores coisas. Foi assim quando falou sobre João Batista; quando repreendeu os discípulos sobre as crianças; quando falou sobre a fé do tamanho de uma semente de mostarda. Mas hoje, a poltrona do Bom Pastor eleva-se frente às outras. Sua espuma, mais confortável, seu acabamento impecável se faz presente no altar. As outras, ó pobres cadeiras de plástico, tem apenas que ficar ali, aguentando toda a sorte de peso, solavancos, inclinações e balanços.

A poltrona do Bom Pastor, esqueceu do tempo em que era uma reles cadeira de plástico. Hoje em seu altar, alicerçado em concreto coberto em porcelanato, já não lembra mais, da igrejinha de chão batido onde o seu primo, o púlpito, torcia para que água nenhuma encostasse nele para que este não inchasse.

A sua santidade poltrona, não lembra do tempo em que ia de lá para cá junto com as demais cadeiras sob uma carroça, para as praças, para pregar o evangelho. Porque poltrona esquecestes esse tempo? Será que a teologia pregada por outros pastores a contaminou? Ou vendo tu aí de cima do altar as demais cadeiras disse em teu íntimo: “Serei semelhante ao altíssimo?”

Oh poltrona! Desce do altar! Vem congregar novamente com as cadeiras de plástico. Retira o teu acabamento de linho, os teus enchimentos de espuma da NASA e volta ao evangelho puro e simples. Pois as demais cadeiras, coitadas, muitas vezes com as pernas tortas, não querem ouvir de ti sobre os jantares, prêmios e ocasiões especiais que tu foi. Mas querem sim ouvir sobre as tuas visitas aos órfãos e as viúvas. Querem ouvir de ti como foi tua visita aos presídios e as comunidades carentes.

E, ao apagar das luzes do templo, por favor, não seja indiferente com as surradas cadeiras. Muitas estão com chicletes pregados nelas. Já outras, a criança pulava durante todo o culto sobre ela. Ah, e não esqueça daquela que não aguentou a pressão e quebrada, encostada no canto da igreja, gostaria que você passasse por ela e lhe dissesse: “Vem, vamos conversar, Jesus te ama!”

Eureka! Já sei! Vamos mudar todas as cadeiras de plástico para poltronas!... Mas, será que tu poltrona do altar vai gostar que todos sejam como tu és? Pensando bem, por que tu é que não voltas a ser uma cadeira de plástico? Assim, poderás sair com as demais cadeiras mundo a fora enfrentando trombadas e solavancos. Mas então é porque tu já fizeste isto por muito tempo que hoje não farás mais?

Tu poltrona, voltas ao primeiro amor. Teu Bom Pastor que aí te colocou, não foi para te exaltar. As outras que estão contigo em cima do altar, almejam serem poltronas como tu, mas as suas pernas as denunciam que ainda são – e nunca deveriam deixar de serem, apenas cadeiras.

O teu Bom Pastor, quando te usa, deixa as demais cadeiras eufóricas. Mas o teu Bom Pastor não é adepto a vaidades. Porque tu, oh serva, tem que ser diferente? Não sabes tu que Ele – o teu Bom Pastor, pode usar de qualquer cadeira da congregação inclusive para te repreender?

Tu ocupas um lugar de honra ai no altar, mas deveria, por teu privilégio ser uma cadeira menor dentre todas as demais. Ser serva do Bom Pastor é para que tu ensines às outras cadeiras, como se tornarem poltronas, não como a tua magnitude que o Bom Pastor te constituiu, mas reconhecendo o teu lugar de submissão.

Quem dera um dia, eu possa vê na congregação, que as cadeiras que tu olha aí de cima, virem poltronas, mas tu se faça a menor e a mais bela cadeira. Disseram-me que um filósofo por nome Sócrates, disse que todo homem deveria uma vez por semana dormir no chão, sem travesseiro e sem cobertor apenas para entender o quanto somos pequenos e não precisamos de muito para viver.

Quem sabe para ti oh poltrona, recolher-se ao depósito, partilhar das aventuras das demais cadeiras que são transportadas para diversos lugares, possa assim ti fazer entender que tu és poltrona, mas Deus espera que tu sejas sempre, apenas, uma cadeira de plástico.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Os nossos pensamentos...


Hoje eu parei para escrever o meu primeiro texto livre, ou seja, nada de apenas copiar e colar texto de outros - não que eu nunca mais vá fazer isto, mas há tempos queria escrever algo meu. E hoje nós (Deus e eu) fizemos isto.

Estava acessando o Facebook e um amigo publicou uma foto que mostra parte de Provérbios 4. Até então, nada de muito novo, mas algo me chamou a atenção para o versículo 23 que diz:
"Tenha cuidado com o que você pensa, pois a sua vida é dirigida pelos seus pensamentos."
Parei diante deste versículo por alguns instantes e descobri que muitas vezes pensamos e vemos coisas que não nos ajudam em nada, ou nos revela algo contrário, de uma maneira tão absurda que até nos deixa "para baixo".

Me lembrei que uma vez em uma visita ao trabalho de um amigo ele me perguntou: Como vai o trabalho... e eu soltei a amargura do meu coração: De mal a pior... No mesmo instante ele me interrompeu e disse: Nunca diga isto, pois você poderá ser convencido de que tudo realmente vai ficar pior.

Se - e acredito nisso, a Bíblia é em parte inspirada por Deus, sempre terá algo para nós entre as entrelinhas do mistério. Usar a força do pensamento igualando isto a palavra Fé, podemos passar a acreditar que os nossos pensamentos são a força propulsora de nossas vitórias. Mas como a fé vem de Deus, me parece claro que, pensar positivamente nada mais é do que acreditar em Deus - mesmo que você não acredite Nele.

Não sei, talvez a vida seja cheia de altos e baixos, ou quem sabe os baixos são apenas momentos para recarregar as nossas forças, descansar um pouquinho e apenas em pensamento imaginarmos as nossas vitórias.

Então, o que eu aprendi com este versículo foi que, mesmo quando tudo parecer perdido, a única coisa que ainda deve ser levada em consideração é o nosso pensamento positivo.

A fé é a certeza das coisas que não se vê.