quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A poltrona do bom pastor

Divulgação


Majestosa. Indiferente às demais. Prepotente em seu lugar de destaque. A poltrona do Bom Pastor hoje se diferencia das demais se esquecendo de que outrora, já foi uma cadeira de plástico.

As vezes, tento imaginar, com será o trono de Jesus Cristo que está sentado à direita de Deus Pai. Pois quando Jesus veio ao mundo, não se viu Nele arrogância, vaidade nem ao menos indiferença alguma entre os demais. Sentando-se e comendo com publicanos, lavando os pés dos seus discípulos, Jesus sempre falava das menores coisas. Foi assim quando falou sobre João Batista; quando repreendeu os discípulos sobre as crianças; quando falou sobre a fé do tamanho de uma semente de mostarda. Mas hoje, a poltrona do Bom Pastor eleva-se frente às outras. Sua espuma, mais confortável, seu acabamento impecável se faz presente no altar. As outras, ó pobres cadeiras de plástico, tem apenas que ficar ali, aguentando toda a sorte de peso, solavancos, inclinações e balanços.

A poltrona do Bom Pastor, esqueceu do tempo em que era uma reles cadeira de plástico. Hoje em seu altar, alicerçado em concreto coberto em porcelanato, já não lembra mais, da igrejinha de chão batido onde o seu primo, o púlpito, torcia para que água nenhuma encostasse nele para que este não inchasse.

A sua santidade poltrona, não lembra do tempo em que ia de lá para cá junto com as demais cadeiras sob uma carroça, para as praças, para pregar o evangelho. Porque poltrona esquecestes esse tempo? Será que a teologia pregada por outros pastores a contaminou? Ou vendo tu aí de cima do altar as demais cadeiras disse em teu íntimo: “Serei semelhante ao altíssimo?”

Oh poltrona! Desce do altar! Vem congregar novamente com as cadeiras de plástico. Retira o teu acabamento de linho, os teus enchimentos de espuma da NASA e volta ao evangelho puro e simples. Pois as demais cadeiras, coitadas, muitas vezes com as pernas tortas, não querem ouvir de ti sobre os jantares, prêmios e ocasiões especiais que tu foi. Mas querem sim ouvir sobre as tuas visitas aos órfãos e as viúvas. Querem ouvir de ti como foi tua visita aos presídios e as comunidades carentes.

E, ao apagar das luzes do templo, por favor, não seja indiferente com as surradas cadeiras. Muitas estão com chicletes pregados nelas. Já outras, a criança pulava durante todo o culto sobre ela. Ah, e não esqueça daquela que não aguentou a pressão e quebrada, encostada no canto da igreja, gostaria que você passasse por ela e lhe dissesse: “Vem, vamos conversar, Jesus te ama!”

Eureka! Já sei! Vamos mudar todas as cadeiras de plástico para poltronas!... Mas, será que tu poltrona do altar vai gostar que todos sejam como tu és? Pensando bem, por que tu é que não voltas a ser uma cadeira de plástico? Assim, poderás sair com as demais cadeiras mundo a fora enfrentando trombadas e solavancos. Mas então é porque tu já fizeste isto por muito tempo que hoje não farás mais?

Tu poltrona, voltas ao primeiro amor. Teu Bom Pastor que aí te colocou, não foi para te exaltar. As outras que estão contigo em cima do altar, almejam serem poltronas como tu, mas as suas pernas as denunciam que ainda são – e nunca deveriam deixar de serem, apenas cadeiras.

O teu Bom Pastor, quando te usa, deixa as demais cadeiras eufóricas. Mas o teu Bom Pastor não é adepto a vaidades. Porque tu, oh serva, tem que ser diferente? Não sabes tu que Ele – o teu Bom Pastor, pode usar de qualquer cadeira da congregação inclusive para te repreender?

Tu ocupas um lugar de honra ai no altar, mas deveria, por teu privilégio ser uma cadeira menor dentre todas as demais. Ser serva do Bom Pastor é para que tu ensines às outras cadeiras, como se tornarem poltronas, não como a tua magnitude que o Bom Pastor te constituiu, mas reconhecendo o teu lugar de submissão.

Quem dera um dia, eu possa vê na congregação, que as cadeiras que tu olha aí de cima, virem poltronas, mas tu se faça a menor e a mais bela cadeira. Disseram-me que um filósofo por nome Sócrates, disse que todo homem deveria uma vez por semana dormir no chão, sem travesseiro e sem cobertor apenas para entender o quanto somos pequenos e não precisamos de muito para viver.

Quem sabe para ti oh poltrona, recolher-se ao depósito, partilhar das aventuras das demais cadeiras que são transportadas para diversos lugares, possa assim ti fazer entender que tu és poltrona, mas Deus espera que tu sejas sempre, apenas, uma cadeira de plástico.

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