domingo, 13 de janeiro de 2013

Afastado do caminho do Senhor. De quem é a culpa?

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O que faz uma pessoa que já conheceu a Palavra de Deus em sua plenitude se afastar dos caminhos do Senhor? Muitas vezes as provações que passamos nos faz arremeter para longe daquele que sempre está por perto. Outras vezes a influência dos “amigos” e familiares podem torturar a nossa caminhada. Mas e quando aquele que deveria ser o nosso “ajudante” passa a ter seus interesses acima da fé? Sim, eu falo de pastores.

Um jovem perdido?

Há algum tempo, conheci um jovem em uma de minhas aulas no SENAI/ Maracanaú-CE. Dentre outros alunos, Lucas Linhares de 22 anos me chamou a atenção pelo seu jeito pacato de ser. E, depois de muitas conversas, acabou me revelando o seu afastamento da igreja. Pensei então em todas as possibilidades que o fizera tomar esta decisão, mas para a minha surpresa, a tempestade de repúdio a fé veio de onde menos se espera, da própria igreja.

Lucas desde pequeno frequentava a igreja com o seu pai. Na época de seu afastamento, era do ministério de louvor há dois anos. No tempo em que congregava, muitos irmãos participavam esporadicamente do louvor e com o tempo, muitos – por um motivo ainda obscuro para mim, passavam a congregar em outras igrejas. Isto causou uma fuga de pessoas que se dedicassem ao louvor. Desta forma, novos convertidos, com um mínimo de conhecimento em música, acabavam participando do “cante e toque se quiser.”


Vendo a baixa qualidade do louvor, Lucas então passou a indagar sobre isto para a sua igreja:

Quando me recusei a participar fui tido como errado e chato.”

Vem em minha mente então a batida frase de alguns irmãos que se propõem a cantar ou tocar durante os cultos: “Meu louvor é para Deus e não para os homens”, isto sem ter um conhecimento razoável ou até mesmo vontade de aprender, como se Deus não merecesse o nosso melhor – e se não temos o melhor, que busquemos o quanto antes. Em igreja modestas que não possuem músicos eu até entendo, mas não é raro o pastor chamar alguém que está assistindo ao culto para que vá louvar. Sem ensaio, sem notas apropriadas à voz do irmão, o que temos é um misto de “porque não tocam mais baixo se ela não sabe cantar” com “afastem-se os não evangélicos pois o nosso som além de alto é um desastre musical.”

Não vejo como isto e somente isto poderia fazer uma pessoa afastar-se dos caminhos do Senhor, mas Lucas fez isto por cerca de quatro anos. Isto talvez tenha sido a fagulha que precisava para que o motor de propulsão “mundo ai vou eu” pudesse ser ligado. Mas o que me preocupa é que até parece que só aguardamos um motivo para nos afastar da igreja, ou somos fracos a ponto de nos deixar levar pelos homens e suas atitudes estranhas, ou o “inimigo” tem tanta influência assim que nos faz tomar decisões erradas todo o tempo.

A porteira aberta e a fuga das ovelhas

Isto poderia ser um caso isolado, mas não é. Na mesma turma, Maria [1] – uma outra irmã evangélica, também me confessou que se afastou da igreja pelo fato de que na igreja na qual congregava, os postos de dirigentes dos ministérios (louvou, família, crianças, etc), só poderiam ser ocupados por pessoas da família do pastor independente de ter afinidade ou não com o ministério – nepotismo? Vendo então que o trabalho estava prejudicado e não tendo acesso a melhorias desejadas, afastou-se da congregação.

Já em outro caso, o irmão Paulo [1] – outro ex-aluno do curso de informática, também me falou que estava se afastando da igreja por causa do pastor. O motivo? A igreja estava caindo aos pedaços e nada era feito. Um novo pastor assumiu e com os mesmos dízimos e ofertas reformou a igreja, comprou equipamentos para o som e tudo mais. E quando tudo estava bem, eis que o pastor que nada fazia, reaparece como pastor da igreja como se nada houvesse ocorrido. Isto causou uma debandada grande em sua igreja.

Espírito Santo?

Um dos casos mais preocupantes que tive notícia, foi de uma parente da família de minha esposa. Ela congregava em uma igreja depois de ter passado por várias outras. Quando tudo parecia bem, eis que certo dia não foi à igreja pois o seu filho ficou de lhe dar uma carona e não apareceu. Outro dia, encontrando a esposa do pastor de sua igreja comentou o ocorrido, mas que iria no próximo culto com toda certeza.

Chegando então no culto o pastor em seu sermão dispara a frase: “O Espírito Santo de Deus me disse que teve uma irmã que não veio ao culto por causa do seu filho. Irmãos, isto é inadmissível...” Opa? Então o pastor é casado com o Espírito Santo de Deus?

Culto interminável

Outro caso foi de um pastor que não terminava o culto até a igreja arrecadar R$ 150,00 por conta de outro pastor que veio louvar e pregar em sua congregação – cárcere privado? A solução, foram duas irmãs já dizimistas da igreja terem que completar “a vaquinha do pastor” para que todos pudessem receber as bençãos apostólicas e ir para casa.

Poderia falar aqui de diversos outros casos de pessoas que se afastaram de suas congregações por causa de atitudes da igreja, o que me faz pensar em duas coisas: primeiro, muitos irmãos tem a sua fé mais voltada para os homens do que para Deus e, desta forma, acabam se afastando dos cultos. A segunda, somos muito omissos quando o assunto é Deus e com isto, não nos sentimos a vontade para reclamar ou até mesmo perguntar sobre algo em nossas igrejas quando o pastor fala ou faz algo.

Para quem ainda não sabe, pastor NÃO É DEUS, pode e deve ser indagado sim em suas atitudes. Pois sendo este um servo do Senhor genuíno, terá o discernimento para ouvir os irmãos em suas queixas e pedidos. Aceitá-los ou não, mas sempre explicando um motivo plausível e conversando sem rancor e nada de fazer o irmão que o questiona em tema do sermão ou lição de moral nos cultos.

Então o que temos são atitudes de homens, dirigentes de igrejas, que deixam o seu ego tomar conta de suas “ovelhas” e estas, sem ter uma explicação segura de suas atitudes, acabam se afastando dos caminhos do Senhor. E o mais preocupante é que, afastados da igreja, muitos irmãos são entregues ao mundo, o mesmo que os condenou antes, oferecendo-lhes de tudo e muito mais.

Termino então esta postagem com um comentário do Lucas:

Antes de congregarem em qualquer igreja evangélica e assumir compromisso sério, conheçam quem os orienta, os pastores, pois o bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas, essas devem portanto fazer todo seu trabalho com amor sendo admoestadas quando falharem e bem instruídas através das escrituras.


[1] O nomes foram trocados para preservar a identidade dos comentários já que não solicitei a estes a divulgação de seus nomes e histórias.

[2] Todos os irmãos citados – com exceção da irmã da parte Espírito Santo?, já estão em novas congregações.

Lucas Filho

Este texto pode ser copiado desde que citada a fonte: http://revistaevangelico.blogspot.com

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